Escrita
Que trabalho repetido vale a pena tirar do caminho primeiro
Nem todo o trabalho chato compensa automatizar. A tarefa certa para começar tem três sinais, e nenhum deles é ser a mais aborrecida.
Publicada Revista One Other
Por onde se começa?
Pela tarefa que acontece muitas vezes, sempre da mesma maneira, e cujo erro se vê logo. As três condições contam juntas. Sem a terceira, ganhas tempo e perdes confiança.
Copiar dados de um sítio para outro cumpre as três. Responder a um cliente difícil não cumpre nenhuma.
Faz a lista do que fizeste esta semana mais do que três vezes. A tarefa certa costuma estar lá, e raramente é a que te ocorre primeiro.
É preciso IA para isto?
Na maior parte dos casos, não. Uma folha de cálculo ligada a um formulário resolve mais trabalho repetido do que qualquer modelo, e falha de maneiras que se percebem.
A IA entra onde o trabalho é ler texto e decidir o que fazer com ele. Triagem de mensagens, resumos, primeiros rascunhos. Coisas onde uma resposta aproximada tem valor e vai ser lida por ti antes de sair.
Digo isto com a máquina ao lado todo o dia. É boa a ler e a rascunhar, e o critério do que sai continua a ser de uma pessoa.
E se a ferramenta falhar?
Vai falhar. A pergunta útil não é se falha, é o que se parte quando falhar e quanto tempo demoras a dar por isso.
Automatiza primeiro o que podes verificar num relance e reverter à mão. Deixa para o fim o que toca em dinheiro, em contratos ou no que sai directamente para o cliente.
Como saber se valeu a pena?
Mede antes. Uma semana a apontar quantas vezes fazes a tarefa e quanto tempo leva chega para saber o que estás a poupar.
Se ao fim de um mês ninguém voltou ao método antigo, ficou. Se voltaram, o problema não era o tempo. Era outra coisa, e vale mais descobrir qual do que insistir na ferramenta.
Uma automatização que ninguém usa fica lá a partir-se em silêncio. Desligar o que não pegou faz parte do trabalho.
Se tiveres uma tarefa em mente, conta-ma e digo-te por onde começava.