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Notas

Escrita

O logótipo não é a marca. O que vem antes dele.

Um logótipo novo resolve menos do que parece. O que decide se um negócio é reconhecido são as decisões que se tomam antes de alguém desenhar seja o que for.

Publicada Revista One Other

Então o que é a marca?

É o conjunto de decisões que se repetem. Como falas, o que recusas, o que aparece sempre igual e o que muda de cada vez.

O logótipo é uma dessas decisões, e não é a primeira. É a assinatura no fim de uma carta que já tinha de estar escrita.

Porque é que o logótipo novo não mudou nada?

Porque um símbolo só ganha sentido com repetição. Sozinho, é uma forma. Ao fim de um ano no mesmo sítio, no mesmo tom, com o mesmo trabalho por trás, passa a ser um atalho para tudo isso.

Quando o resto continua a mudar de mês para mês, o símbolo não tem a que se agarrar. É por isso que redesenhar pela segunda vez costuma ser o sintoma.

O que se decide antes de desenhar?

Poucas coisas, mas por escrito. Escritas, deixam de se decidir outra vez em cada peça. É aí que se ganha o tempo.

É por aqui que começo quando me pedem identidade: leio o que já existe antes de propor forma nenhuma.

  • Em que frase dizes o que fazes, sem adjectivos.
  • Que trabalho aceitas e qual recusas.
  • Como falas: tratamento, comprimento das frases, palavras que não usas.
  • O que uma pessoa reconhece à distância: a cor, o tipo de letra, ou o teu próprio trabalho.

É preciso um manual de marca?

Só se houver mais do que uma pessoa a aplicá-la. Para quem trabalha sozinho, duas páginas com as regras acima chegam, e lêem-se. Um documento de quarenta não.

O critério é o mesmo do resto: escreve-se o que precisa de ser repetido por outra pessoa. O que só tu decides fica na tua cabeça, onde é mais rápido.

Se te apetecer mostrar-me o que já tens escrito, manda-mo por email.

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